O Campo Nacional de Oposição do Movimento Negro Unificado-MNU, Organização Política próxima ao cinquentenário, fundada em 1978, durante a ditadura militar, manifesta o seu apoio e solidariedade ao quilombo urbano Kédi, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, que durante esta semana sofreu demolições de várias casas de maneira ilegal, mesmo com a medida cautelar requerida pelo advogado, Onir de Araújo, representando o quilombo urbano Kédi e a Frente Quilombola do RS.
O mandato da justiça federal determinou a presença da Polícia Federal, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, INCRA, e Fundação Palmares para impedir as demolições em pleno processo de regularização fundiária que tramita em ambas as instituições, afins, do governo federal; a presença destas instituições, absurdamente, não impediu as demolições no total de dez casas.
Nesta região, existiu a Colônia Africana, entre 1884 e 1930, território de pessoas de diferentes nações africanas que trouxeram ao Brasil suas línguas, culturas e religiões de matriz africana; hoje espaço dos bairros mais caros da cidade.
O quilombo urbano Kédi, situado na avenida Nilo Peçanha, bairro Boa Vista, é próximo ao quilombo urbano da Família Silva, o primeiro território urbano titulado no país, em 2009, que deflagrou o direito à autodeclaração de territórios negros urbanos tradicionais e ancestrais em todo Brasil.
Esta ação de prevaricação, em tese, especulação imobiliária e grilagem urbana com anuência da Prefeitura Municipal favoreceu os interesses de empreiteiras e corporações imobiliárias (CFL – fundo de investimento imobiliário e Grupo Zaffari, Country Empreendimentos Imobiliários) que dominam os empreendimentos bilionários em torno do Country Club de Porto Alegre, próximo ao Shopping Iguatemi, zona norte da capital gaúcha.
Alertamos que este precedente pode subsidiar os monopólios da construção civil em todo território nacional; o que exigirá a constante mobilização em defesa das comunidades tradicionais remanescentes de quilombos.
Reiteramos a nossa responsabilidade enquanto oposição à Coordenação Nacional do MNU, CON, gestão situacionista, golpista e fascista, resgatando o MNU Libertário, Democrático e Popular, garantindo o histórico legado em defesa do povo negro e enfrentando às lutas antirracistas e anticapitalistas no Brasil.
Somos, A Nossa Luta Unificada, ANLU, Coletivo Raça e Revolução, RR, Aquilombar e dirigentes independentes que representam doze estados e o Distrito Federal do país.
Brasil, 14 de março de 2026
